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Colher a flor da febre no jardim do fogo

Eu Peneiro o Espírito e Crivo o Ritmo Eu peneiro o espírito e crivo o ritmo
Do sangue no amor, o movimento para fora
O desabrigo completo. Peneiro os múltiplos
Sentidos da palavra que sopra a sua voz
Nos pulsos. Crivo a pulsação do canto
E encontro
O silêncio inigualável de quem escuta
Eis porque as minhas entranhas vibram de modo igual
Ao da cítara
Eu peneiro as entranhas e encontro a dor
De quem toca a cítara. A frágil raiz
De quem criva horas e horas a vida e encontra
A corda mais azul, a veia inesgotável
De quem ama
Encontro o silêncio nas entranhas de quem canta
Eis porque o amor vibra no espírito de quem criva
O músico incompleto peneira a ideia das formas
Eu sopro a água viva. Crivo
O sofrimento demorado do canto
Encontro o mistério
Da cítara
Daniel Faria, in “Dos Líquidos” -
Receber a nuvem solar no fundo do mar

” Música y pan,leche y vino, amor e sueño: gratis.Gran abrazo mortal con los advbersarios que se amam: cada herida es una fuente. Los amigos afilan bien sus armas,listos para el diálogo final,el diálogo a muerte para toda la vida.Cruzam la noche los amantes enlazados,conjunción de astros e cuerpos.El hombre es el alimento del nombre.El saber no es distinto del soñar,el soñar del hacer. La poesia ha puesto fuego a todos los poemas.Se acabaron las palabras, se acabaron las imágenes. Abolida la distancia entre el hombre y la cosa,nombrar es crear, e imaginar,nacer.” Octávio Paz en Un Poeta
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Um dos cartazes da exibição do filme TITANIC WORLD FOREVER - A poética de Marcelo Ariel produzido pelo Núcleo Portátil de literatura, teoria, vídeo da área de letras comparadas da USP. Na ocasião haverá um debate comigo mediado pelo Professor Maurício Salles Vasconcelos, a coisa toda acontece dentro do Encontro de Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa no dia 12 de maio às 14hs dentro do Departamento de Letra da USP. O filme é dirigido pelo Daniel Fagundes e montado pelo próprio e por Pedro Paulo Rocha. Um fato histórico.
Marcelo Ariel
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![Íntegra da entrevista concedida à jornalista Marcela Petrere Duarte do Jornal Informa Cubatão em fevereiro de 2011
- Quando e como você descobriu sua vocação para a literatura?
R. Durante a infância, na biblioteca pública. A biblioteca é o lugar mais importante das cidades, mais importante do que o cemitério, a escola e a igreja. A biblioteca é o hospital da Alma. Alexandre, o Grande, que foi educado por Aristóteles, considerava a criação da biblioteca de Alexandria, sua mais importante conquista.Em Cubatão, a biblioteca se localiza no prédio da antiga prefeitura, ex-centro do poder , que também já foi uma escola pública, fato por si só, indicador da importância maior da biblioteca para a vida da cidade.
- Você estudou em Cubatão? Suas experiências na escola te ajudaram a começar seu trabalho?
R. Fui realmente alfabetizado por minha vizinha, Dona Marlene, que dava aulas de reforço na sua casa e aprendi a ler muito cedo, minhas experiências na escola, pouco acrescentaram ao que aprendi com minha mãe, com minha vizinha e com meus amigos, no fundo, a verdadeira escola é a exploração do campo de alteridades e a leitura dos clássicos, o resto é a falência do conhecimento patrocinada pela visão mercadológica da vida.
- Qual a característica das suas obras [poemas, romances, ficção etc]? De onde vem a inspiração?
R. Não acredito em inspiração, nem em talento. Talento é atenção concentrada e trabalho intenso. Inpiração é sempre uma idéia inicial que nada significa sem a lapidação e a obsessão pela harmonia. O que caracteriza meu trabalho é a fidelidade a uma visão do mundo onde não existem fronteiras entre a filosofia e a poesia, uma visão mística e unificadora da vida interior e da vida exterior, que é contantemente e erroneamente confundida com elitismo e hermetismo. Quem lê atentamente meus livros, tem acesso a uma visão original do mundo.
- Quantos e quais livros você já publicou?
R. Pela ordem de publicação: Me enterrem com a minha AR 15 ( Selo Dulcinéia Catadora,2007),Tratado dos anjos afogados ( LetraSelvagem, 2008), O céu no fundo do mar ( Selo Dulcinéia Catadora,2009), Conversas com Emily Dickinson e outros poemas ( Multifoco/Selo orpheu,2010), Samba Coltrane ( Yi Yi Jambo,2010).
- Quais os projetos futuros?
R. Tenho dois livros no prelo, que serão lançados no decorrer deste ano. A vida de um escritor latino-americano na cidade de Cubatão não é fácil, mas resisto a mudar de cidade, amo Cubatão com todas as minhas forças e acredito que essa declaração pode soar como loucura ou hipocrisia para a maioria dos que vivem aqui, poucos amam esta cidade. Meu projeto é viver em Cubatão com dignidade e não abandonar minhas raízes.
- Há quantos anos você mora em Cubatão? Onde?
Moro em Cubatão desde os 4 anos de idade, estou com 42, no Jardim Costa e Silva, que deveria mudar de nome, é um lugar muito bonito para servir de homenagem a memória de um general e presidente não-eleito do regime ditatorial, Cubatão precisa renascer e ser reinventada.
- Fale um pouquinho da sua vida pessoal, família etc.
R. Minha vida pessoal não é importante. A poesia se alimenta de tudo o que é impessoal, do encontro com as alteridades e existe uma distância enorme entre vida pessoal e vida interior, vida interior é algo raro nos dias de hoje, sem a vida interior que é alimentada pela leitura de bons livros, pela boa música, pela luta pela dignidade, pelo encontro e pelo diálogo com o Outro, não existe vida, apenas uma existência vazia. Existe apenas a vida-praça-de-alimentação e a vida-monetária que são a morte da Alma.](http://25.media.tumblr.com/tumblr_lgcc84XnWJ1qdptf1o1_400.jpg)
Íntegra da entrevista concedida à jornalista Marcela Petrere Duarte do Jornal Informa Cubatão em fevereiro de 2011
- Quando e como você descobriu sua vocação para a literatura?
R. Durante a infância, na biblioteca pública. A biblioteca é o lugar mais importante das cidades, mais importante do que o cemitério, a escola e a igreja. A biblioteca é o hospital da Alma. Alexandre, o Grande, que foi educado por Aristóteles, considerava a criação da biblioteca de Alexandria, sua mais importante conquista.Em Cubatão, a biblioteca se localiza no prédio da antiga prefeitura, ex-centro do poder , que também já foi uma escola pública, fato por si só, indicador da importância maior da biblioteca para a vida da cidade.
- Você estudou em Cubatão? Suas experiências na escola te ajudaram a começar seu trabalho?R. Fui realmente alfabetizado por minha vizinha, Dona Marlene, que dava aulas de reforço na sua casa e aprendi a ler muito cedo, minhas experiências na escola, pouco acrescentaram ao que aprendi com minha mãe, com minha vizinha e com meus amigos, no fundo, a verdadeira escola é a exploração do campo de alteridades e a leitura dos clássicos, o resto é a falência do conhecimento patrocinada pela visão mercadológica da vida.
- Qual a característica das suas obras [poemas, romances, ficção etc]? De onde vem a inspiração?R. Não acredito em inspiração, nem em talento. Talento é atenção concentrada e trabalho intenso. Inpiração é sempre uma idéia inicial que nada significa sem a lapidação e a obsessão pela harmonia. O que caracteriza meu trabalho é a fidelidade a uma visão do mundo onde não existem fronteiras entre a filosofia e a poesia, uma visão mística e unificadora da vida interior e da vida exterior, que é contantemente e erroneamente confundida com elitismo e hermetismo. Quem lê atentamente meus livros, tem acesso a uma visão original do mundo.
- Quantos e quais livros você já publicou?R. Pela ordem de publicação: Me enterrem com a minha AR 15 ( Selo Dulcinéia Catadora,2007),Tratado dos anjos afogados ( LetraSelvagem, 2008), O céu no fundo do mar ( Selo Dulcinéia Catadora,2009), Conversas com Emily Dickinson e outros poemas ( Multifoco/Selo orpheu,2010), Samba Coltrane ( Yi Yi Jambo,2010).
- Quais os projetos futuros?
R. Tenho dois livros no prelo, que serão lançados no decorrer deste ano. A vida de um escritor latino-americano na cidade de Cubatão não é fácil, mas resisto a mudar de cidade, amo Cubatão com todas as minhas forças e acredito que essa declaração pode soar como loucura ou hipocrisia para a maioria dos que vivem aqui, poucos amam esta cidade. Meu projeto é viver em Cubatão com dignidade e não abandonar minhas raízes.
- Há quantos anos você mora em Cubatão? Onde?Moro em Cubatão desde os 4 anos de idade, estou com 42, no Jardim Costa e Silva, que deveria mudar de nome, é um lugar muito bonito para servir de homenagem a memória de um general e presidente não-eleito do regime ditatorial, Cubatão precisa renascer e ser reinventada.
- Fale um pouquinho da sua vida pessoal, família etc.R. Minha vida pessoal não é importante. A poesia se alimenta de tudo o que é impessoal, do encontro com as alteridades e existe uma distância enorme entre vida pessoal e vida interior, vida interior é algo raro nos dias de hoje, sem a vida interior que é alimentada pela leitura de bons livros, pela boa música, pela luta pela dignidade, pelo encontro e pelo diálogo com o Outro, não existe vida, apenas uma existência vazia. Existe apenas a vida-praça-de-alimentação e a vida-monetária que são a morte da Alma.
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Trabalho em progresso ( Passado)
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Trabalho em progresso


